O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
Fernando Pessoa.
Sunday, February 6, 2011
Tuesday, January 25, 2011
You are the best.
"You are the best. You are the worst. You are average. Your love is a part of you. You try to give it away because you cannot bear its radiance, but you cannot separate it from yourself. To understand your fellow humans, you must understand why you give them your love. You must realize that hate is but a crime-ridden subdivision of love. You must reclaim what you never lost. You must take leave of your sanity, and yet be fully responsible for your actions."
Gnarls Barkley, in a letter to the legendary rock critic Lester Bangs
Gnarls Barkley, in a letter to the legendary rock critic Lester Bangs
Wednesday, October 27, 2010
Monday, October 25, 2010
Revisão.
Hoje o meu destinatário é diferente. Hoje não é o mesmo de sempre. Hoje és tu.
Quando o relógio toca as 7 e 30 da manhã eu sei que está na hora do jogo começar. Um jogo sim, esse jogo que jogávamos uns dias esperados, outros nem por isso. Tem cartas, muitas cartas e, trunfos que se escondem aqui e ali. Não havia cronómetro, o tempo era aquele que aparecia quando calhava, o tabuleiro eram os corredores onde as cartas eram jogadas. Não havia desistências porque cada um jogava melhor que o outro.
Ás vezes jogávamos sem cartas, sem tabuleiro; era tudo secreto, eram quase mensagens encriptadas. Esta era a parte fácil do jogo, até ao ponto em que percebemos que afinal também existiam regras... e não eram simples. Era uma lista que tudo fazia para que os jogadores não as cumprissem, provocante e cheia de astucia. Essa lista era quase autosuficiente, pedia-nos que arriscássemos sem pisar o risco. Complicado, não?
Quando à estratégia, bom essa era pouco rigorosa...cada um fazia o que podia para não ficar com a pontuação mais baixa...
Hoje o jugo mudou. Parece que apareceu um copo de martini, um wisky velho e, como que ao improviso, surgiram os dados. Dados? Não há quem os lance melhor que a Sorte. Pode-se pedir um às, uma dupla... não és tu quem arriscas, é a sorte e tu nem dás por isso. Acabaram-se os trunfos, agora é a vez dos dados. Estão lançados.
Hoje espero pela tua jogada. A minha virá a seguir.
Daniela . 25 de Outubro de 2010
Monday, June 28, 2010
Love the way you lie.
Just gonna stand there and watch me burn
Well that's alright because I like the way it hurts
Just gonna stand there and hear me cry
Well that's alright because I love the way you lie
I love the way you lie
Well that's alright because I like the way it hurts
Just gonna stand there and hear me cry
Well that's alright because I love the way you lie
I love the way you lie
Thursday, May 27, 2010
Wednesday, May 12, 2010
Cansaço.
" O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço... "
Álvaro de Campos
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço... "
Álvaro de Campos
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