Thursday, February 9, 2012

Efeito dominó.

Não compreendem o que se passa. Não olham, reparam, ouvem ou pensam. Impávidas saboreiam o sol, sem se preocupar se vai chover, se há humidade ou a temperatura desce. Gostam delas próprias, querendo e fazendo tudo para sobreviver. Nascem, crescem, multiplicam-se e morrem. É esse o seu propósito. Podem questionar-se que seres maravilhosos são esses. Que criaturas fantásticas são essas. Bom são quase todas! Nós humanos é que tivemos um outro propósito. Só me parece que se esqueceram de nos dizer qual. "Crescei e multiplicai-vos" dizem alguns crentes. Algo um pouco insuficiente para esta aberração da natureza que pisa o Mundo aos milhões, que pensa, escreve livros, teorias, constrói edifícios e cria como poucos fazem. Quem se esqueceu de avisar estes seres do seu objectivo, é alguém distraído com toda a certeza. Crescer é deveras fácil, basta ter paciência. Multiplicai-vos simples é para grande parte. Há um tempo ideial para tudo isso, e no resto que fazer? O ser humano foi um especialista em encontrar outras maneiras de se ocupar. Só que deveriam ter sido mais explícitos e eficazes a transmitir uma mensagem que ficou esquecida. Agora, agora como se esqueceram de nós, também nós nos esquecemos de outros. Um efeito dominó curioso.

Hoje esqueci-me de ti. Mas só hoje. Daniela

Monday, February 6, 2012

Cada um deles é somente a ausência do outro.

"É ele, finalmente, este para quem apenas olham José de Arimateia e Maria Madalena, este que faz chorar o sol e a lua, este que ainda agora louvou o Bom Ladrão e desprezou o Mau, por não compreender que não há nenhuma diferença entre um e outro, ou, se diferença há, não é essa, pois o Bem e o Mal não existem em si mesmos, cada um deles é somente a ausência do outro. "

in Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago

Tuesday, January 17, 2012

2 minutos.


Preciso de dois minutos. Dois minutos de qualquer coisa real. Dois minutos de qualquer coisa... Só que sejam dois minutos diferentes. Dois minutos bastam. Dois é o número ideal. Duas cadeiras. Dois copos. Dois minutos de conversa. Dois minutos a ouvir os carros passarem. Dois minutos de conforto.  Dois era o suficiente. Em tanto sedentarismo, preciso realmente de 2 minutos de mudança.

daniela .

Resultados.

Resultado da pesquisa: intenso, arrebatador, impensável, colorido, irresistível, apaixonante, contagiante. Fim da pesquisa. Sempre tive 100% à vontade com metáforas, hipérboles, eufemismos, adjectivações, comparações e enumerações. A resposta da fuga ou luta confunde-me. Não percebo predadores e presas durante qualquer tipo de beijo calmo. De presas percebo bem, fáceis, distintas algumas, frágeis. De predadores percebo pouco, fortes, poderosos, miseráveis, donos de si mesmos e de outros da mesma forma. Percorro resultados de motores de busca desconhecidos, rotinas, circuitos à procura de definições. Estou perdida. Finjo então que encontro a minha definição de presa e predador. Inequivocamente, realizo que sou mais presa que predador. Irónico, na fuga ou luta um beijo resolve tudo. Há presas que mereciam ser predadoras, anti-natura talvez, mas justo.


Daniela Cavaco. ( What a mess in my head!) 01.19 de dia 18 Janeiro.

Sunday, November 27, 2011

Could you be the devil.

You're so hypnotizing.
Could you be the devil.
Could you be an angel.
You're touch magnetizing,
Feels like I am floating.
Leaves my body glowing.
They say be afraid.
You're not like the others.
Futuristic lover.
Different DNA.
They don't understand you!

27 Novembro.

Wednesday, November 23, 2011

23.11.11

Caiu um frio estranho sobre Lisboa, não há neve como gostaria que houvesse, mas pequenas partículas geladas são suficientemente inteligentes para entrar e congelar o que eu digo serem os meus pulmões.
O frio foi indiferente no início, aliviante até, um anestésico perfeito para quem se achava doente. Durou o suficiente para me fazer arrefecer, para me arrepiar e sentir falta de um abraço ou apenas de um cobertor. Até que começou a doer; o nó que se enrola na garganta quando estamos atrapalhados ou envergonhados, que cora a cara e não deixa as palavras sairem como deve ser, gelou. Tornou-se este frio desconfortável a pouco e pouco. 
É noite e, parece que as nuvens estão chateadas com o céu porque mal chego à pequena estação de Entrecampos, os relâmpagos aparecerem repentinamente, surgem agora como pequenos flashes que fazem as velhinhas dar pequenos gritinhos, enquanto sussuram umas com as outras, dizendo: "Jesus, Nosso Senhor", não sendo culpa delas o facto de não compreenderem que o básico dos fenómenos de electricidade. A chuva também arrefece porque é fria, já os relâmpagos por coisa nenhuma...
O frio agradável que tocava as minhas mãos escaldadas pelo peso das malas, agora fá-las adquirir um tom esbranquiçado e fantasmagórico. O meu rosto perdeu as rosas que tinha antes de me ter sentado no banco gelado da estação de comboios. 
O mesmo frio parace gelar calmamente o meu foco de raciocínio, dou por mim a pensar naquilo que se chama nada, se é que tal coisa existe de facto e, um vazio arrepiante instala-se na estação de comboios. Percebo então que o gelo criou uma película semi-opaca entre mim e o resto. Resto talvez seja uma palavras demasiado dura para se chamar àquilo que estou a pensar. Já não oiço o barulho dos comboios nem o frenesim das pessoas apressadas por chegar a casa. Apetecia-me tocar com as pontas dos dedos nessa superfície correndo o risco de ficarem coladas. Mesmo com medo que se quebrasse , que se estilhasse e me rasgue a pele, gostava de correr esse risco. Não faço primeiro porque não tenho coragem e depois porque em pequena me ensinaram a "não brincar com o fogo". Percebo que afinal não gosto assim tanto deste frio e as minhas convicções mudam nesse momento, convicções e desejos.
Concluo assim, que queria ainda um pouco de calor para derreter esta espécie de janela de gelo. A janela tornou as ideias mais desfocadas, as cores como borrões e as pessoas as minhas à minha volta, que já eram desconhecidos são agora uma espécie de aliens vestidos em tons escuros.
Achava que a agradável faceta do frio ia ajudar a mudar coisas que nunca mudam. Achava que o frio me ia ajudar a tomar decisões. Enganei-me. Achava que esse calor ia durar para sempre. Agora que vejo o que é o frio, o quente torna-se muito mais apelativo. Achava que podia viver sem o calor e sem o frio, nem um nem outro, preciso dos dois. Do quente para sentir que estou viva, do frio para perceber o quão bom é o quente. 

Secalhar andei este tempo a pensar que andava a brincar com o fogo quando na realizade o que me queimava era uma pedra de gelo, daquelas tão frias que queimam tanto como queima o fogo.

É como diz a música "Não vejo a hora de voltar lá para dentro, faz frio cá fora. Faz tanto frio cá fora, que eu já não vejo a hora"


Daniela. 23 de Novembro de 2011, num dia especialmente frio.

Monday, October 24, 2011

12.38

Não sei ao certo por que razão olho ao relógio sempre que quero escrever qualquer coisa. Não escrevo há muito tempo, é verdade. Não pergunto aos meus botões porque razão isso acontece, primeiro porque são botões depois porque não preciso de saber. Quando se é bombardeado por uma quantidade quase assombrosa de músicas e suas letras, facebook e suas divagações, filmes, séries, isto e aquilo, deixamo-nos levar! Ouves a "tal" música e pronto aí se têm a nossa vida num refrão. É reconfortante saber que alguém se preocupa em escrever qualquer coisa para os fracos de intelecto ouvirem; um bom exemplo sou eu. É a história do "deixa andar" tipicamente adolescente. Agora que penso nisso, discordo do que disse. Os adolescentes fazem normalmente, excepto quando os pais não o permitem ou tem vergonhas e receios, tudo o que lhes é possível. É afinal a história tipicamente adulta, que pouco pretende fazer a mais do que aquilo que pode realmente fazer.  
Nada de extraordinário posso acrescentar a meia dúzia de linhas que já escrevi, nada se passa, nada se pode passar. Mais uma contrariedade, afinal tenho algo a dizer: realmente é bem mais apetecível escrever do que dizer, se escrevêssemos tudo aquilo que queríamos dizer, as coisas (ora aí está uma palavra que retiraria desta frase, perdoem-me a prática já não é muita) fluiam de maneira diferente, as bocas não se calavam tanto, o olhos continuavam a falar é certo. As letras passavam, do que aprendi este ano ser uma massa cinzenta reunida com uma massa branca desprovida de qualquer magia ou sobrenatural,  para os dedos e dos dedos para a folha. Os olhos e boca, meros observadores e, pontuais determinantes nas conversas e discussões. 

Ficavam os olhos para aquilo que os olhos servem e as bocas para aquilo que as bocas servem. 

Olho de novo para o relógio do meu computador, 23:38. "Já chega" dizem os meus botões.

Daniela. Outro dia.