Sunday, March 14, 2010

Estou doente.

A incessante e impossível busca pela verdade não é nada mais que isso: incessante e impossível. Nunca nada me garantiu a verdade, quando acho que estou certa dizem-me que estou errada. Quando penso ver a verdade, vem o real e presenteia-me com a ilusão. Se vejo preto, descubro que é branco tingido de escuro.
Mente a verdade se diz que é relativa e mente a mentira se diz que é verdade. Se temos crânio capaz de albergar tanta coisa complexa. Onde é que ficou a minha e a vossa inteligência para encontrar o que tomamos como verdade? (não a de vocês, que isto lêem, mas sim vocês, que provavelmente não lêem).
O ser humano é fraco, deprimente e previsível. Esgotam-se-lhe as ideias, começa a ficar paranóico. Damos-lhe um novelo de lã e, entretém-se no tapete da sala, brincando junto à lareira. Se tem ideias demais, ou não sabe geri-las ou desperdiça-as em argumentos dos quais não reza a história. Se tem ideias e sentimentos não é feliz, porque as ideias sugam os sentimentos, tornando-os submissos. Se tem sentimentos, é um parvo que só sabe mostrar aquilo que se lhe ocorre (com razão!) e de facto age como parvo, esquecendo-se que pode, se quiser, também, pensar de vez enquanto…Mas apenas de vez enquanto! Porque várias vezes já seria pedir demais! Só sabe ser ou muito racional ou muito sentimental e no entanto afirma-se como um ser que procura o equilíbrio. Mas nem nesta perspectiva, consegue ser o intermédio de coisa alguma.
Age em mérito próprio e não se preocupa com os com ele se preocupam. Por isso já chega de me pedirem mais do que posso dar porque, inexoravelmente, deixo o meu testemunho dizendo que: Não sei agir ou pensar de todo, não quero novelos de lã (já me bastam o que tenho aqui!), nem ideias brilhantes demais, porque posso facilmente, deitá-las fora, nem heroísmos ou masoquismo, no sentido figurago da palavra...
Assim, face a factos e verdades relativas e absolutas, cheguei a esta brilhante conclusão vou trocar a memória por algo bem mais prático que não me torture, amedronte, faça rir, divirta, ou me faça sorrir…

Porque, sobretudo, descobri algo muito mais valioso do que procurar a verdade nos outros e em nós próprios é que…
Não há cura para quem não está doente. E de facto não estou doente, faço-me apenas de doente como pretexto que justifique a procura pelo meu remédio.

Daniela. O dia em que escrevi exactamente o que me apeteceu escrever.

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