Se sentisses o que eu sinto que sinto que tu não sentes, talvez sentisses o que se pode sentir. Se sentisses do mesmo modo que eu te sinto, sentindo que és tu e sentes o que é meu, talvez sentisses o que me fazes sentir quando tu não me sentes ou quando dizes sentir e eu sinto que tu me sentes. Se soubesses sentir saberias então reconhecer a irrazoabilidade que se sente quando alguém se sente assim. Se sentisse o meu corpo sentindo o que deseja a minha mente sentir, talvez percebesse a razão de tanto sentir e tu soubesses sentir como tu me fazes sentir. Saberias valorizar o que sinto, sentindo que alguém a ti te sente. Se sentisses como eu me sinto quando de ti tenho saudades, sentindo ou até mesmo sabendo que tu não me sentes. Se sentisses do mesmo modo que eu me sinto, saberias e não entenderias de onde poderia vir tanto sentimento. Mas sentir é isso mesmo, é sentir sentindo, não sabendo por onde explicar. Sentindo o que os outros não sentem, achando que ao nosso sentimento nada se pode igualar. Sentimos tanto, para que o mundo um dia se esqueça de nos sentir ao ponto de deixar a nossa inteira sensibilidade terminar. Sinto-te, sentindo-te, de mais nenhuma outra forma te sei sentir que não sentindo-te da mesma maneira que te sinto mesmo que se não te quisesse sentir. E quem se sente sem nada, sentindo vazio, é comparar como me sinto se a ti não te consigo sentir. Sinto que sabes isto que sinto, mas sentir o que o outro sente é inatingívelmente quase impossível. Faço então para que sintas apenas um pouco e, assim já me sinto como se um pouco de mim tivesse sido sentido por ti. É que se sentir e fazer sentir, não se faz pensado. E se sentisse o que escrevo ao invés de te sentir a ti, sentiria que não te sentia e tal coisa seria impossível porque quem sente da mesma maneira que alguém se sente quando sente necessidade de escrever assim, não precisa de sentir de outra maneira, que não sentindo-te a ti. A quem sabe sentir, talvez, não façam sentido nem lhe causem sensação este sem-sentido sentimento, pois tudo o que sentem é muito mais perceptível que qualquer outro sentimento. Quem sente o que não se pode sentir, sente mais que qualquer outro, porque sente por quem sente e por quem não pode sentir. Assim, sinto por ti e por mim e de mais nenhuma maneira sei sentir.
E se te sentisses assim? Que sentirias tu por mim? Sentirias que sentir não é o mesmo que saber e que saber sem sentir não é o mesmo que sentir sem saber. Concluirias portanto, que nenhuma diferença relevante existe a não ser que saber sem sentir é bem mais fácil que sentir sem saber, quando de facto se sente aquilo que não se compreende. Sinto-te, não te entendendo, nem me entendendo a mim, sinto-te, simplesmente, sentindo-te.
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