Monday, March 15, 2010

Substituição.

Quando estamos tristes, muitas vezes, a nossa vontade é fazer alguma coisa que nos liberte, que damos por nós, a tentar que algumas palavras apareçam na nossa cabeça para que consigam explicar um pouco de qualquer coisa, sabe-se lá porque motivo ou razão

Quando estamos tristes, geralmente gostamos de escrever mas as lágrimas desfocam-nos a vista e alastram-se, implacavelmente na nossa folha, misturando a tinta preta ao papel…dissimulando as palavras e abrindo espaços entre as letras...

Quando estamos tristes, e nos faz falta alguém que oiça e consinta o que lhe dizemos, tentamos escrever algo, e por muito que nos esforcemos, as palavras tornam-se prisioneiras da nossa mente, e parece que não sabemos como escolhê-las...

Quando estamos tristes, o texto não se expande, é apenas um aglomerado de palavras que são alternadamente molhadas e enxugadas pelos nossos desassossegos e, ainda assim quando são relidas parece que o seu efeito é ainda pior do que aquele que pretendíamos...

Quem o diz, compara-as metaforicamente, pois elas parecem conseguir arrancar um pouco do alento que ainda resta dentro de quem as desenha. São um pózinho do que sentimos seguro a um minúsculo texto de quatro ou cinco linhas que é feito quando coisa nenhuma está bem, quando todos nos parecem incertos.

Se estamos tristes e a única coisa que sabemos fazer é tentar camuflar a tristeza em vocábulos e conceitos que nem as nossas mãos sabem escrever… Então é aí, é aí que reside o nosso problema. Porque enquanto a soubermos descrever… estamos nós bem.


Preciso de ti, por saber que sem ti, fico triste.



daniela, 18 de fevereiro de 2009

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